[Tradução] A publicação não é suficiente, para gerar impacto, você precisa realizar divulgação

[Tradução] A publicação não é suficiente, para gerar impacto, você precisa realizar divulgação

Título original: Publication is not enough, to generate impact you need to campaign

Publicado originalmente em: LSE Impact Blog

Link: https://blogs.lse.ac.uk/impactofsocialsciences/2019/09/27/publication-is-not-enough-to-generate-impact-you-need-to-campaign/

Traduzido por: Marcos Eduardo de Sousa

Ser capaz de demonstrar os impactos da pesquisa fora do meio acadêmico tornou-se um requisito de várias setores financiadores de pesquisa. Neste post, Toby Green baseia-se em um recente estudo de caso de sua própria pesquisa, para demonstrar como uma abordagem de impacto que considera a publicação como apenas uma parte de uma campanha de comunicação cumulativa e de longo prazo é essencial para alcançar o impacto. Além disto, ele argumenta que realizar esse engajamento deve se tornar uma característica central das rotinas acadêmicas.  

Pesquisa invisível é, por definição, de baixo impacto”. Isto foi escrito por Martyn Lawrence, da Emerald Publishing, em 2011, ao oferecer uma matriz pela qual o impacto da pesquisa poderia ser medido. Ele pode ter escrito que a pesquisa invisível também é um desperdício de tempo e dinheiro. Afinal, qual é o sentido de passar meses pesquisando e redigindo descobertas apenas para coletar poeira digital em um arquivo online? 

Para os pesquisadores, isso importa mais do que aparenta, pois as setores financiadores estão cada vez buscando mais um retorno real dos dólares, euros e libras investidos. Por exemplo, a Ford Foundation, a segunda maior fundação dos EUA, espera que os beneficiários de suas bolsas “atinjam o maior impacto possível”; os candidatos às bolsas do projeto EU Horizon 2020 devem descrever o impacto econômico e / ou social esperado do projeto; e o REF do Reino Unido, ao avaliar solicitações, atribuem um peso de 25% ao ‘alcance e significado’ do impacto. Mas o que é impacto e como você pode gerá-lo?

Uma vez, Carlos Rossel me contou uma história de quando ele era o editor do Banco Mundial. Foi sobre um de seus relatórios sobre a AIDS na África. O Banco queria usar o relatório para chamar a atenção para o que era então um problema crescente e arrecadar dinheiro para ajudar a resolvê-lo. Alguém no Banco teve a idéia de apresentar o relatório a Bill Gates, que prontamente prometeu US $ 5 bilhões em dólares da Fundação Bill e Melinda Gates para combater a AIDS na África. Uma cópia do relatório foi colocada nas mãos de alguém convencido a agir: isso é impacto.

Portanto, o impacto não é necessariamente ter muitos downloads ou tráfego para um site, o impacto também pode ser um processo direcionado para fazer alguém, a pessoa certa, agir. Tomemos, por exemplo, o Secretário-Geral da OCDE. Ao visitar ministros e presidentes, ele sempre pega uma pilha de publicações e, uma a uma, entrega cópias impressas, enfatizando as principais descobertas e recomendações para mudanças à medida que avança. Ele não apenas papagaia o que está no relatório, ele ajusta a mensagem à sua audiência, enquadrando-a no contexto local e, assim, tornando mais provável que o ministro ouça e aja. É provável que o ministro não leia o relatório – mas é muito provável que ele o entregue a um consultor e peça recomendações. Embora entregar fisicamente a alguém uma cópia do seu trabalho possa parecer uma metodologia antiquada, ela pode ser o ponto final de uma estratégia de comunicação que preparou o terreno para a mensagem da pesquisa ser recebida e é uma abordagem escalável. 

O diagrama abaixo mostra as diferentes etapas da descoberta à ação e, o mais importante, a relação entre conhecimento e informação nesse processo. Convencer alguém a agir, mudar algo, é difícil e, por si só, é improvável que as informações contidas em um artigo façam o trabalho. Você precisa fazer mais do que apenas publicar e esperar – você precisa ser criativo e ativo.

Então, o que você pode fazer para tornar seu trabalho mais impactante?

Uma coisa simples que você pode fazer é ser visual. Os seres humanos são visuais e têm uma tendência 80% maior de ler um texto quando ele tem uma imagem. Gemma Sou, escrevendo neste blog, relatou que o emprego de gráficos não apenas ajudou a comunicar seu trabalho, mas também transformou sua prática de pesquisa, tornando-a mais relevante. Aprender a atingir seu público-alvo, portanto, não é apenas uma adição à sua pesquisa, mas também pode melhora-la.

Depois de alcançar um público, os autores devem desenvolver sua rede para criar campanhas que aumentem a conscientização, estimulem o debate e convencam outras pessoas a se unirem para advogar por mudanças. É importante não apenas enviar um e-mail ou enviar tweets, mas envolver-se com o público-alvo por um período de tempo. Isso significa ouvir o que seu público está dizendo em suas apresentações, tweets e postagens no blog e responder com trechos de suas descobertas de pesquisa para que uma conversa se desenvolva.

Em um estudo de caso recente, descrevo como chamei a atenção para três dos meus artigos publicados desde 2017. Isso exigiu uma mudança na minha rotina normal, a fim de dedicar um pouco de tempo todos os dias, durante um período de meses, para desenvolver oportunidades de interação com as mídias sociais. Aprendi o que funcionou e o que não funcionou usando duas ferramentas de rastreamento e relatório: Kudos e Altmetric. No entanto, obter alguns dados, especialmente dados de download, mostrou-se difícil e os editores certamente poderiam melhorar sua participação aqui. Para mim, esses esforços valeram a pena, ambos os artigos estão entre os mais baixados da revista e têm pontuações Altmetric entre os 5% principais de todos os resultados de pesquisa. Como resultado, recebi convites para falar em conferências e escrever posts em blogs (como este [no caso, o da LSE Impact Blog]) que, por sua vez, desenvolvem meu público e aumentam minha chance de causar impacto.

Posso ouvir muitos de vocês agora: “mas estou muito ocupado para divulgar meus trabalhos”. Vamos colocar isso em contexto. Se você passou muitos meses – até anos – coletando dados, redigindo os resultados e elaborando um artigo para o processo de publicação, não vale a pena gastar tempo para garantir que suas descobertas ultrapassem seu grupo imediato de colegas? Caso contrário, você não estaria apenas mantendo os resultados para si mesmo? É improvável que uma abordagem de “jogar e sair” (fazer alguma divulgação quando um documento for publicado e sair de cena esperando que o público desenvolva por si só) gere muito impacto e significa que você obterá um retorno ruim do investimento que você fez para escrever um artigo. Isso não significa necessariamente investir tempo divulgando todo e qualquer trabalho, mas significa pensar em uma estratégia para comunicar os resultados de sua pesquisa, para que eles tenham a melhor chance de causar impacto.

Nesse mundo digital, as agências financiadoras sabem que há uma trilha de dados para todas as ações on-line e esperam que os pesquisadores façam mais do que apenas relatar citações, eles querem ver a evidência de que suas descobertas saíram da atração gravitacional da academia e estão informando um público mais amplo de profissionais e formuladores de políticas. Os pesquisadores que estão preparados para investir tanto tempo na promoção de seus trabalhos quanto na redação, e podem mostrar os resultados, não só serão mais visíveis e impactantes, como provavelmente ganharão mais financiamentos.

 

Sobre o Autor

Toby Green passou 35 anos trabalhando com publicações acadêmicas em organizações comerciais, de sociedades, IGO e ONG com todos os tipos de conteúdo: livros, revistas, bancos de dados, literatura cinzenta, serviços de A&I e enciclopédias – sempre de olho na experiência do leitor e na construção de público. Sua última posição foi Chefe de Publicação e Medição de Impacto na OCDE. Ele agora está criando uma start-up que busca facilitar a localização e o uso de conteúdo publicado informalmente na Internet. Ele escreveu este texto em uma capacitação pessoal na esperança de que ele contribua para pensar em como encontrar uma maneira sustentável e eficaz de fazer com que pesquisadores tenham um maior impacto na sociedade. Seu ID ORCID é 0000-0002-9601-9130.

 

Nota: Este artigo fornece as opiniões do autor, e não a posição do LSE Impact Blog, nem da London School of Economics.


Publicado original sob a licença – Creative Commons Attribution 3.0 Unported License  Creative Commons Licence

A imagem de destaque não faz parte da publicação original, créditos: Foto por freddie marriage em Unsplash.

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