O sentido da vida, de Terry Eagleton

O sentido da vida, de Terry Eagleton
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Tenho sentido dificuldade de definir com clareza os próximos passos da minha vida. Na piração de que tudo precisa ser decidido, organizado, estipulado, de forma lógica e ordeira e, talvez por causa disso, mas também talvez somado ao fato de que vivemos numa pandemia que parece interminável, num governo no qual a maldade não parece execrável, me peguei pensando no sentido da vida.

A @rita_von_hunty recomenda o livro O sentido da vida, do Terry Eagleton, um teórico literário para lá de bom com uma escrita fluida e instigante no seu vídeo Narrar o mundo disponível no canal Tempero Drag no YouTube (e no podcast de mesmo título). A proposta de Eagleton não é encontrar uma solução filosófica, mas questionar a pergunta “Qual o sentido da vida?”. Para isso, ele questiona cada uma das palavras que compõem a frase, mas não sem deixar de concluir o que ele considera qual seja o sentido da vida.

De um modo geral, é um livro que me lembrou muito o filme Soul, da Pixar, que perpassa algumas teorias filosóficas para concluir que o sentido da vida é … viver. Simplesmente.

 

Apesar de Terry Eagleton admitir que “é típico da modernidade deixar as questões em aberto”, a metáfora que ele usa para responder à pergunta que destrincha é a de um conjunto de jazz no qual cada músico precisa brilhar e dar o seu melhor para que seus companheiros possam fazer o mesmo (quem assistiu Soul vai perceber que a relação entre os dois textos é mais próxima do que pareceria a princípio).

Para Eagleton, “o complexo equilíbrio que se dá entre eles [os músicos] não vem de executarem um arranjo coletivo, mas da expressão livre de cada um, que serve como base para a expressão livre dos outros”, ou seja, transposta essa metáfora para nossa vida (em sociedade) não é possível haver sentido em eu ter dinheiro, poder, felicidade, se para isso, na lógica capitalista liberal, um outro precisa estar encarcerado, miserável, infeliz.

Por fim, fica a minha pergunta: se o sentido da vida é viver em equilíbrio com os demais músicos, que sinfonia estamos criando enquanto sociedade?

 

 

~ Esse texto foi postado originalmente no meu perfil do Instagram (@machadoalien – me segue lá!) no dia 13/02/2022.

~ Foto de capa by Kristopher Roller via Unsplash e imagens do Filme Soul tiradas do Instagram @umfilmemedisse

Aline Machado

Sou formada em História, graduanda e mestranda em Estudos Literários, e trabalho como professora de Língua Inglesa. No mestrado estudo The handmaid's tale e The testaments, de Margaret Atwood. Amo gatos, faço terapia e sou fã das músicas da Taylor Swift.

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